Exposição Colecionismo com curadoria de João Pedrosa

Acredito que a origem do colecionismo é tão antiga quanto a humanidade. Para se colecionar é fundamental ter olho, um sexto sentido, que separa o joio do trigo que é capaz de identificar a qualidade única, que faz de uma obra de arte especial, não só na sua época, mas também dentro da produção de um artista específico.
Outra grande característica do impulso colecionador é a curiosidade. Ela faz com que o colecionador estude um criador, um período, uma obra e quase sempre, que ao longo de um certo tempo, faz com que ele se torne um expert, ou até mesmo um erudito sobre determinado assunto, ou produção. O impulso colecionista é sempre o sinal de uma mente curiosa e educada. Ou fazendo o caminho inverso, assim ele se torna um colecionador.
Manufatura, cultura, talento, alma, intelecto, tudo isso vem embutido numa obra de arte. Uma coleção é o display da diversidade, de humanidade, da multiplicidade de expressões de criadores. Ela também diz muito sobre a personalidade e a alma de seu proprietário e organizador. O que pode ser um impulso egoísta de acumulação e propriedade, pode se tornar um ato de amor pelo que há de transcendental na humanidade, sua capacidade de criar universos deslumbrantes, que a arte proporciona, como a descoberta da ostra dentro de uma concha.
O egoísmo de possuir do colecionador se transforma num ato de generosidade, pela necessidade subsequente que a coleção acarreta, de expor e dividir belezas, que o sentido do conjunto expressa e transmite. Uma coleção comprova formalmente uma ideia, ela é como a demonstração de uma equação visual. A força do agrupamento de objetos e suas diversidades características é o que traz significado para a propriedade e acumulação dessas obras.
O display de uma coleção é tão importante quanto a qualidade intrínseca de cada peça. É o impacto do conjunto. Mostrar, compartilhar, dividir é a função primordial de uma coleção, muito mais do que proporcionar prazer pela sua posse, ao colecionador. É por isso que grandes coleções, quando não são desmembradas e vendidas pelos herdeiros, que quase nunca tem a mesma relação com elas do que o dono original, quase sempre tem o destino final de se tornarem públicas. O ato de colecionar dá sentido e ordem para o universo, algo que está faltando muito no mundo de hoje.
Tudo pode ser colecionado: livros, discos, carros, conchas, vinhos, fósseis, borboletas, tapeçarias, fotografias, botânica, taxidermia, artefatos agrícolas, ferramentas, etc, etc, etc. Mas o que motiva um colecionador é quase sempre simplesmente a paixão pelo objeto. Coleções são não só sobre o talento dos autores de suas obras, ou sobre o poder aquisitivo do colecionador, mas muito sobre a multiplicidade de formas e expressões, elas são construídas, principalmente, sobre a humanidade contida e expressa nelas.

exposicao Colecionismo com curadoria de João Pedrosa